Conheça a Modalidade Esportiva Freio de Ouro

Modalidade esportiva Freio de Ouro
Você conhece o Freio de Ouro? – Crédito da Imagem: https://www.youtube.com

A modalidade esportiva Freio de Ouro é uma das mais interessantes dentre os criadores de cavalos crioulos para a lida. Trata-se de uma avaliação bastante rigorosa dos cavalos dessa raça, com o objetivo de lhe atribuir notas em relação às suas características físicas e de trabalho. As provas foram desenvolvidas de acordo com as principais atividades de trabalho que os cavalos crioulos precisam desempenhar no campo.

Conhecendo o Cavalo Crioulo

A raça de cavalo crioulo é de origem brasileira e resultante da combinação do sangue de animais berbere e andaluz. Os primeiros exemplares dessas espécies no Brasil faziam parte da criação do aventureiro espanhol Álvar Nuñez Cabeza de Vaca. Ao realizar deslocamentos de seu rebanho, perdeu alguns animais pelo caminho. Depois de quatro séculos vivendo em ambiente selvagem, esses cavalos passaram pelo processo de seleção natural, dando origem à raça conhecida como cavalo crioulo.

Características da Modalidade Esportiva Freio de Ouro

Duas Etapas: As competições chamadas de Freio de Ouro têm como foco os cavalos crioulos e dividem-se em duas etapas que são: avaliação da morfologia e prova funcional.

Avaliação Morfológica

Nesta primeira etapa, os cavalos passam por avaliação de suas principais características físicas, em que se avalia o quanto esses indivíduos estão de acordo com os padrões seletivos da raça. As características mais relevantes são o equilíbrio estrutural, musculatura avantajada e linha superior firme e constante. A pontuação estabelecida vai de 0 a 10 nesse critério.

Avaliação Funcional

Após a avaliação física, os animais são submetidos a provas funcionais que foram desenvolvidas com inspiração em atividades de lida no campo. As provas acontecem em dois momentos diferentes.

Provas Funcionais do Primeiro Momento

Prova de Andadura

São avaliados três modos de andamento nessa etapa:

Tranco – Pontuação entre 0 e 3.

Trote – Pontuação entre 0 e 8.

Galope – Pontuação entre 0 e 4.

A andadura de trote tem peso maior porque é a mais usada pelo cavaleiro no dia a dia de lida no campo.

Prova de Equilíbrio – Figura

Conhecida como prova figura, tem nível de exigência médio do cavalo e acontece num circuito que possui demarcações com feno. O objetivo é que o cavalo percorra esse circuito demonstrando destreza nas trocas de mãos e patas. Também são observados critérios como a submissão do animal ao cavaleiro. A pontuação é de 0 a 15.

Prova de Volta Sobre as Patas e Esbarrada

Uma das provas mais difíceis para o cavalo no Freio de Ouro é dividida em duas fases, sendo a primeira a volta sobre as patas em que o animal deve realizar um giro de 360° para um lado e depois para o outro. Ele pode realizar entre uma e três voltas, contudo, deve realizar a mesma quantidade de giros para ambos os lados.

O segundo momento dessa prova, a esbarrada, consiste na condução do cavalo por cerca de 20 metros num ritmo acelerado, sendo que, ao final, o cavaleiro solicita que ele freie bruscamente. O correto é que o animal fique praticamente sentado sobre as patas traseiras. A pontuação da primeira etapa é de 0 a 5 (0 a 2,5 para cada lado do giro) e de 0 a 10 para a esbarrada.

Prova de Mangueira

A primeira prova da modalidade Freio de Ouro em que o cavalo é testado em funções realmente de lida. A prova é realizada em três momentos e com pesos de pontuação diferentes:

Aparte – A tarefa do cavalo é separar um de dois novilhos que se encontram na mangueira.

Manutenção – O cavalo deve manter o novilho separada por, pelo menos, 45 minutos.

Pechada – Trata-se de um movimento realizado com o peito, em que o cavalo precisa manter o novilho apartado criando um ângulo de 45° de um lado e depois de outro. O movimento deve ser realizado em 45 segundos.

A pontuação do aparte e da manutenção é de 0 a 10, enquanto que a pechada tem pontuação entre 0 e 5 (0 a 2,5 para cada lado da pechada).

Prova de Campo (Paletada 1)

Mais uma prova para averiguar a aptidão do competidor crioulo para finalidades vaqueiras. A competição acontece em duplas que são formadas de acordo com a colocação de pontuação até o momento do Freio de Ouro, o primeiro com o segundo, o terceiro com o quarto colocado e assim por diante. A prova consiste na perseguição de um novilho por uma raia que possui 110 metros e que conta com demarcações de feno na altura dos 30, 80 e 110 metros.

No decorrer dos primeiros 30 metros da raia o novilho deve correr. No trecho entre 30 e 80 metros cabe aos cavalos prensarem o novilho entre as suas paletas, de onde vem a expressão “palhetada”. Entre os 80 e 110 metros os cavalos devem correr a frente do novilho, lhe fechando a frente antes do final da raia e o caminho deve ser feito novamente para que o animal retorne a mangueira. A pontuação é de 0 a 15.

Classificação Para o Segundo Momento

Até esse momento, as notas são multiplicadas por 1,5. As notas das provas são, então, somadas e é feita a divisão do resultado pelo número de provas com a soma da pontuação da morfologia. Cerca de metade dos competidores é desclassificada e não vai para a segunda etapa.

Provas Funcionais do Primeiro Momento

Segunda Prova de Mangueira

Consiste em repetir a prova realizada no primeiro momento com pontuação entre 0 e 20.

Prova de Bayard-Samento

Uma das provas mais complexas da modalidade Freio de Ouro. O cavalo deve percorrer uma raia de 80 metros, sendo que nos primeiros 40 metros deve correr, esbarrando ao chegar a essa marca. Então, o animal deve fazer a volta sobre as patas num dos lados e, do outro, pode girar de uma a três vezes.

Corre por mais 40 metros e deve esbarrar de novo. Na sequência, deve dar um giro de 180°, percorrer correndo mais 40 metros e esbarrar mais uma vez. Deve girar sobre as patas para os dois lados e percorrer mais 40 metros para, então, realizar a última esbarrada. A pontuação do circuito é de 0 a 20.

Segunda Prova de Campo (Paletada 2)

A Paletada da primeira etapa é repetida com pontuação entre 0 e 20.

Nessa etapa do Freio de Ouro as notas são multiplicadas por 2, somadas e, então, divididas pelo número de provas realizadas. Por fim, é somada a nota da morfologia. Com essa bateria de provas se chega aos campões do Freio de Ouro.

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